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15 de Junho de 2021

A Taxa Selic baixa e os Investimentos de Renda Variável.

Guilherme Bianchini de Oliveira, Advogado
ano passado

Em fevereiro de 2020 o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu a Taxa Selic de 4,5% para 4,25% e as consequências deste fato nos trazem tanto prós quanto contras.

Antes de qualquer coisa, o que seria esta taxa?

A sigla SELIC significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia, se trata da taxa de juros básica da economia brasileira, sendo utilizada no mercado interbancário para financiamento de operações de duração diária, vinculados à títulos públicos federais.

Basicamente se trata de um cálculo da taxa média ponderada de juros que são praticados por instituições financeiras, utilizada par controlar a emissão, compra e venda de títulos públicos.

Certo, mas em que isso me influencia?

Quando a taxa diminui:

➤ Melhor para pedir empréstimos e não só empréstimos. Os bancos e instituições financeiras se baseia nela para definir as taxas de juros de crédito, parcelamento e cheque especial. A tendência é de que estas acompanhem e diminuam as taxas de juros, tornando o crédito mais acessível para a população.

➤ Menor será a remuneração oferecida por Títulos Públicos indexados a mesma e aplicações de Renda Fixa (Tesouro Direto, CDBs Poupança, entre outros).

➤ Tendência para aumento da inflação (quando há muito dinheiro circulando na economia e seu valor começa a se deteriorar, fazendo com que a mesma quantidade de dinheiro compre cada vez menos mercadorias), ou seja, aumento de preços.

Por que o Banco Central reduziu a Taxa Selic?

Quando isso ocorre, a tendência é que o dinheiro comece a circular mais. Sendo assim, como ninguém quer deixar o dinheiro investido, basicamente parado sem ser remunerado ou sem uma quantia significativa, muitos brasileiros migraram dos investimentos de renda fixa, os quais naturalmente possuem maior segurança e menor retorno financeiro, para os investimentos de renda variável.

No entanto, o brasileiro comum não é acostumado a investir neste tipo de mercado.

É exatamente aqui onde mora o problema!

Quais são os principais mercados de renda variável

Dentre os investimentos de renda variável temos o mercado de ações, câmbio (paridade cambial), fundos imobiliários ou FII’s e de commodities em geral. Aqui é regra é a seguinte: quanto maiores os riscos, maiores as recompensas. Explica-se, portanto, como funciona estes mercados citados.

O Mercado de Ações basicamente se refere à compra e venda de parcelas que representam pequenas parcelas de empresas, que podem ser as “Blue Chips” que são as ações mais negociadas na bolsa de valores trazendo o nome de grandes companhias (Ex: Petrobras, Vale, Itaú, Unibanco e Ambev) ou “Small Caps” que são companhias em processo de expansão de forma acelerada, muitas vezes com poucos anos ou até mesmo meses de existência. Conforme a empresa cresça, o lucro dos sócios também será aumentado consideravelmente.

O Mercado de Câmbio se trata do local onde ocorrem transações envolvendo direito de países diferentes. Um bom exemplo se dá no caso de um brasileiro que queira ir à Buenos Aires. Neste caso, ele deverá comprar em uma casa de câmbio pesos argentinos. Como as moedas internacionais não possuem o mesmo poder de compra, faz-se necessário uma taxa para que estas possam ser comparáveis, sendo assim, os especuladores realizam transações para tirar vantagem da flutuação por meio destes níveis de oscilação de valores.

Tendo em vista o investimento direto em imóveis ser elevado, demorado e gerar muita burocracia, geraram-se os Fundos Imobiliários ou FII’s, que são um grupo de pessoas que buscam investir em ativos imobiliários comprando cotas destes fundos, ganhando com a valorização destes, bem como, com a distribuição de rendimentos realizados pelo administrador do FII.

Interessante saber que em um fundo pode ter somente um imóvel, considerado por muitos uma furada pelo risco de inadimplemento do locatário, quanto diversos imóveis com a mesma natureza, como por exemplo, salas de shopping centers, prédios comerciais, agências bancárias, galpões e armazéns, dentre outros.

As commodities também se integram nos mercados de risco, no entanto, tratam-se de bens indistinguíveis os quais seus valores dependem basicamente da lei da oferta e procura. Alguns exemplos muito famosos são, ouro, prata, petróleo, soja, trigo e milho.

Cuidado com o altíssimo risco de quando e como você coloca seu dinheiro nestes investimentos financeiros de renda variável, principalmente se você possui o costume de realizar operações especulativas de mercado futuro por meio de Swing Trade e Day Trade:

➤ Swing Trade: Operações onde o Trader especula se o ativo irá subir ou descer, com tempo de permanência em posições de 3 a 6 dias, como a média de 70 operações por ano, em que o investidor precisa de um acompanhamento diário do mercado financeiro, tendo em vista, a necessidade de estudar, encontrar oportunidades de entrada para alavancar seu valor e acompanhar operações que já estejam abertas.

➤ Day Trade: São operações especulativas que são abertas e fechadas no mesmo dia. Para isto, é necessário ao investidor, muito conhecimento técnico, bem como, muita experiência prática. Trata-se de uma estratégia de alavancagem com altíssimo risco, podendo trazer perdas irrecuperáveis.

Por fim, vale estar em alerta, uma vez que com esta queda da Bolsa de Valores muitas pessoas simples, sem o conhecimento adequado, acabaram por perder dinheiro, tendo em vista estarem visando investimentos em curto e médio prazo. Principalmente aqueles que começaram a colocar em risco seu patrimônio sem estudo aprofundado.

Previna-se. Da mesma forma que é importante contratar um advogado especialista para resolver seu problema, expõe-se que caso não tenha o conhecimento técnico, após saber seu perfil de investidor, fazer uma boa analise, querer investir em um destes mercados, procure o auxílio profissional competente e especializado no tipo de ativo que você tiver mais interesse.

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Guilherme Bianchini de Oliveira

94168 OAB/PR

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