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15 de Junho de 2021

Circuit Breaker! Conflito na OPEP, medo do Coronavírus e alta influência na Bolsa de Valores.

Guilherme Bianchini de Oliveira, Advogado
ano passado

A Bolsa de Valores de São Paulo recuou nesta segunda-feira mais de 12%, constatada como a maior perda desde 10 de setembro de 1998, quando a principal Bolsa Latino-Americana recuou 15,83% devido à Crise Russa de 1998. Período este em que gerou desvalorização do Rublo (moeda russa) e a declaração de moratória, ou seja, a interrupção dos pagamentos externos até a negociação da referida dívida externa.

O Índice Ibovespa (IBOV) é considerado o “termômetro de mercado”, isto ocorre, tendo em vista, que este índice inclui as ações das empresas de maior liquidez e maior volume financeiro negociado da bolsa.

Caso um investidor queira saber como está o desempenho de sua carteira de ações, pode compara-la com o desempenho deste índice e ver se está melhor, pior ou semelhante, percebendo então a eventual necessidade de alterações. Ocorre que durante a manhã do dia 09 de março de 2020, o Ibovespa interrompeu o pregão após este cair 10% (dez por cento), não conseguiu deter a tendência e fechou em baixa de 12,17%, a 86.067 pontos, ficando abaixo dos 90 mil pontos pela primeira vez desde maio de 2019.

Esta interrupção do pregão ocorre apenas em casos excepcionais, chama-se Circuit Breaker (quebra de circuito) e segundo o Manual de Procedimentos Operacionais da B3 (responsável pela Bolsa de Valores no Brasil) este é um “procedimento operacional que interrompe a negociação de ativos, das opções referenciadas em ações, sobre Ibovespa, sobre IBrX-50 e cotas de fundo de índice (ETF), renda fixa privada em momentos atípicos de mercado em que há excessiva volatilidade”.

Basicamente a B3 deve fornecer liquidez, transparência ao mercado e garantir um espaço seguro para a negociação de compra e venda de ativos. O Circuit Breaker funciona como uma defesa contra a volatilidade (grandes oscilações nos preços), sendo acionado caso as ações caiam de forma muito acentuada em um dia. A forma de defesa ocorre de 3 formas:

No momento em que o Ibovespa se desvalorizar 10% (dez por cento) em relação ao fechamento do dia anterior, será congelada a negociação de ativos, derivativos e renda fixa privada por 30 minutos (o que ocorreu conforme citado anteriormente);

Quando forem reabertas as negociações, caso a variação do Ibovespa atinja oscilação negativa de 15% (quinze por cento), o Circuit Breaker entrará em ação por mais uma vez, no entanto, congelando por uma hora.

Mais uma vez reaberta as negociações, caso o Ibovespa caia 20% em relação ao fechamento do dia anterior, a B3 poderá informando os investidores, determinar a suspensão pelo período por ela definido.

Esta volatilidade teve 2 (dois) porquês, sendo estes, o risco trazido pelo Coronavírus, bem como, um conflito ocorrido na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), fazendo com que as ações da Petrobras despencassem cerca de 30% (trinta por cento):

Como foi gerado o Coronavírus (COVID-19) e qual o seu impacto na Bolsa de Valores?

Vale salientar de que não existe apenas um coronavírus, pois, este é o nome de uma família de vírus que causam infecções respiratórias, no entanto, devido à uma mutação, existe um novo dentre eles, o COVID-19.

É exatamente este que está gerando tantos problemas atualmente.

Histórico de acontecimentos:

29 de dezembro de 2019: Um hospital em Wuhan na China admitiu quatro pessoas com pneumonia e reconheceu que as quatro haviam trabalhado no Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan. Após isso, do dia para a noite, vários outros casos de pneumonia semelhantes envolvendo o mesmo mercado começaram a aparecer. Estava mais do que claro de que alguma coisa naquele lugar estava contaminando as pessoas.

31 de dezembro de 2019: A OMS (Organização Mundial de Saúde) emitiu um alerta sobre os casos e no dia seguinte, o referido mercado foi fechado.

09 de janeiro de 2020: Foi confirmada a primeira morte, tal como, que a pneumonia era causada por este coronavírus, podendo trazer, falta de ar, tosse, febre, diarreia e problemas renais. Neste momento, ninguém sabia da facilidade de propagação.

13 de janeiro de 2020: O Coronavírus chega à Tailândia e dia 16 de janeiro ao Japão.

20 de janeiro de 2020: se descobriu que o vírus pode ser transmitido entre as pessoas pelo ar ou pelo contato físico com uma superfície contaminada e encostar em lugares como boca, nariz e olhos.

21 de janeiro de 2020 ocorreu o primeiro caso nos EUA.

30 de janeiro de 2020: A OMS decreta Emergência Global.

26 de fevereiro de 2020: O Ministério da Saúde comprovou o primeiro caso positivo de coronavírus no Brasil, tratando-se de um homem de 61 anos que mora em São Paulo e voltou de uma viagem da Itália. Atualmente está em quarentena domiciliar.

Como acompanhar a situação do Corona Vírus (COVID-19) em todo o mundo em apenas 2 cliques:

https://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html?fbclid=IwAR02JYP0RDsmwoUyHezMI9APTvtBtVxE8dyeMOGBy82XL8IXNcaFdJ33dbc#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6

Existe um indicador de investimentos chamado VIX (Volatility Index – Índice de Volatilidade), o qual muitos chamam de “índice do medo”, medindo a tensão do mercado de ações dos EUA. Este no dia 31 de dezembro de 2019 estava medindo 13,8% e no dia 26 de fevereiro de 2020 estava em 27%.

Foi praticamente dobrada, com uma diferença de 13,2% e por mais que este venha a ser um dado que não se integra diretamente ao mercado nacional, deve ser levado em conta em nossa análise.

A China é a segunda maior economia do mundo, mas também um dos maiores exportadores e compradores de produtos, como soja e ferro e quando esta fecha suas fronteiras para tentar conter o novo vírus, acaba por afetar a cadeia global de suprimentos, onde também se inclui nosso país, o Brasil.

Para a maior parte dos investidores como a segunda maior economia do mundo está com problemas para comprar e vender, aparece a dúvida se realmente vale a pena continuar investindo em empresas que possuem ações em Bolsas de Valores.

Neste mercado, a pior coisa para um investidor chama-se incerteza, logo, muitos destes acabam por migrar seus investimentos para o dólar, uma vez que devido aos EUA não terem tanta exportação e no caso de no Brasil não entrar tanto Dolar, acaba por diminuir a oferta.

Quanto menos dólar é ofertado, mais afetada é a cotação, sendo assim, podemos perceber a forma violenta em que o Dolar acaba por aumentar batendo vários recordes.

Certo, mas como podemos perceber todas estas consequências, resta a dúvida, de o que isto tem a ver com a guerra de preços de preço do petróleo e o conflito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Como aconteceu o conflito na OPEP?

Ocorre que a Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, com a capacidade de produzir mais de 12 milhões de barris diários, conseguindo aumentar ou reduzir sua produção com muita facilidade em comparação a outros produtores.

A ideia era fixar um corte de 1,5 milhões de barris diários, o que significaria reduzir a produção mundial em 3,6%, dos quais se esperava que 500 mil barris/dia fossem sacrificados pelos países que não participassem da OPEP. No entanto, segundo o Financial Times, a Rússia queria analisar o impacto total do coronavírus na demanda do petróleo antes de agir e testar a indústria de petróleo americana.

Ocorre que a redução na produção ajudaria um setor ao qual fez dos EUA o maior produtor de petróleo do mundo, posto este que anteriormente fora ocupado pelo seu país.

Em declarações à agência estatal de notícias russa RIA Novosti, o secretário de imprensa da petroleira russa Rosneft, Mikhail Leontyev, classificou o acordo proposto na sexta como uma opção "masoquista".

"Não tem sentindo. Estamos renunciando a nossos próprios mercados, tirando o petróleo barato árabe e russo para deixar espaço para o caro petróleo dos Estados Unidos e garantir a eficácia de sua produção", explicou.

"Nossos volumes simplesmente foram substituídos pelo de nossos competidores. Isso é masoquismo", disse.

O problema está no fato de que interrompendo uma parceria de mais de quatro anos que ajudou a reequilibrar os preços do petróleo após a commodity atingir mínimas de US$ 28, a Arábia Saudita iniciou durante o fim de semana (07/03/2020) um processo de retaliação ao fracasso do acordo, anunciando uma queda do preço oficial de venda do barril.

De acordo com o Financial Times, a Arábia Saudita fará descontos de mais de US$ 8 em seu preço de venda no noroeste da Europa, sendo este um mercado chave para a Rússia e também reduzindo os preços na Ásia em torno de US$ 4 a US$ 6 por barril, assim como em US$ 7 para o mercado americano.

"A Arábia Saudita está protegendo sua posição no mercado ante o colapso da demanda de petróleo, em um mercado que se encolhe e com preços muito reduzidos", disse Sadad al-Husseini, un ex-vice-presidente da petrolífera estatal saudita Aramco ao The New York Times.

O pior desempenho ficou para a Petrobras, que viu suas ações desabarem devido às incertezas sobre os impactos deste novo cenário. A estatal afirmou que está monitorando o petróleo e que ainda é prematuro projetar os efeitos da queda dos preços do barril em suas operações.

A petroleira não deu indicações se fará alguma revisão no preço dos combustíveis por conta da queda do petróleo. Desta forma, o governo pode ajudar a Petrobras neste momento aumentando a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Combustível - Tributo).

Vale salientar que este tributo não pode ser usado para outros fins além daqueles expostos na Lei 10.336/2001, ou seja, assegurar um montante mínimo de recursos para investimento em infraestrutura de transporte, em projetos ambientais relacionados à indústria de petróleo e gás, e em subsídios ao transporte de álcool combustível, de gás natural e derivados, e de petróleo e derivados

O presidente Jair Bolsonaro já declarou em seu Twitter que não existiria a possibilidade de o governo elevar a tributação, tendo em vista que este acredita que a Petrobras mantendo sua política de preços, ao seguir a cotação do petróleo, deve resultar em uma redução do preço dos combustíveis nas refinarias.

No entanto, tais exposições trouxeram muita discussão atualmente pairando a dúvida se esta é realmente a melhor atitude que pode ser tomada no momento.

Referências:

http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/2122156-bolsa-de-são-paulo-afunda-12amaior-perda-desde-1998

https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/03/09/dolar.ghtml

https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/bolsaseindices/noticia/2020/03/09/o-queecircuit-breaker-entenda-porqueabolsa-para-quando-ibovespa-cai-10percent.ghtml

https://www.infomoney.com.br/mercados/por-queaarabia-saudita-deflagrou-uma-guerra-de-precos-que-fezopetroleo-desabareo-que-esperar-agora/


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Guilherme Bianchini de Oliveira

94168 OAB/PR

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